quarta-feira, 27 de abril de 2011






«soa tão bem e diz tão nada. (...) Mesmo à medida do que não diz nada mas que ao mesmo tempo é TUDO».

João Negreiros e Pessoa... Combinação fantástica

quarta-feira, 16 de março de 2011


Hoje bati três vezes na porta de casa.
Não sei porquê?
Estava aberta.
Carecia senti-la, ouvi.la gritar comigo.
Grita!
Perdoa!
Corri pelo corredor, galguei aos pares as escadas,
(Menina de nada)
Gritaram também, rangendo ao meu passar.
Saudade!
Do cheiro das flores na jarra do velho móvel da sala.
Não fui capaz.
Não estive lá.
Tudo gritava demais em mim.
Desculpem ter crescido sem avisar.
Não poder sentir o o gritar da porta, das escadas ao meu galgar.
Gritem!
Perdoem!
As flores, o seu cheiro,
Não mais ali para mim.
Eu não mais ali para mim,
Só a sombra de um ser,
(Menina de nada)
Pairando ao longe...
À porta de casa.

(Elda Costa).

quinta-feira, 10 de março de 2011

Obrigado Caeiro!

Alberto Caeiro

IV - Esta Tarde a Trovoada Caiu

Esta tarde a trovoada caiu
Pelas encostas do céu abaixo
Como um pedregulho enorme...
Como alguém que duma janela alta
Sacode uma toalha de mesa,
E as migalhas, por caírem todas juntas,
Fazem algum barulho ao cair,
A chuva chovia do céu
E enegreceu os caminhos ...
Quando os relâmpagos sacudiam o ar
E abanavam o espaço
Como uma grande cabeça que diz que não,
Não sei porquê — eu não tinha medo —
pus-me a rezar a Santa Bárbara
Como se eu fosse a velha tia de alguém...

Ah! é que rezando a Santa Bárbara
Eu sentia-me ainda mais simples
Do que julgo que sou...
Sentia-me familiar e caseiro
E tendo passado a vida
Tranqüilamente, como o muro do quintal;
Tendo idéias e sentimentos por os ter
Como uma flor tem perfume e cor...

Sentia-me alguém que nossa acreditar em Santa Bárbara...
Ah, poder crer em Santa Bárbara!

(Quem crê que há Santa Bárbara,
Julgará que ela é gente e visível
Ou que julgará dela?)

(Que artifício! Que sabem
As flores, as árvores, os rebanhos,
De Santa Bárbara?... Um ramo de árvore,
Se pensasse, nunca podia
Construir santos nem anjos...
Poderia julgar que o sol
É Deus, e que a trovoada
É uma quantidade de gente
Zangada por cima de nós ...
Ali, como os mais simples dos homens
São doentes e confusos e estúpidos
Ao pé da clara simplicidade
E saúde em existir
Das árvores e das plantas!)

E eu, pensando em tudo isto,
Fiquei outra vez menos feliz...
Fiquei sombrio e adoecido e soturno
Como um dia em que todo o dia a trovoada ameaça
E nem sequer de noite chega.


- Obrigado Caeiro por tua simplicidade das coisas tão complexa e fantástica...

Por todos os momentos....

Sempre... Pessoa...

terça-feira, 8 de março de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Acordei a cantar...

Belissima musica....


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Não peçam mais de mim...


Hoje acordei e pensei em como queria ser um pouco de Alberto Caeiro e conseguir não pensar, existindo apenas.
Hoje acordei e apetece-me apenas ser, nada mais, por isso, não me peçam nada. Não peçam mais de mim.
Dei tudo o que tinha, agora preciso voltar ao silêncio para nele engravidadr do mundo novamente, voltar a nascer e poder dar-me de novo.
Não consigo evitar. De todas as vezes que renasço nem um pouco de mim guardo. Tudo o que sou. Isso tudo dou.
Não que o mundo tenha necessidade de mim. Eu tenho necessidade dele. Preciso de me entregar para que saiba que eu existo.
Mas hoje, não tenho nada para dar. Estou vazia.
Tudo à minha volta é mentira e ilusão. Todos queremos viver, mas disso mesmo fugimos em cada dia.
As pedras do caminho são muito grandes e voltamos para casa, amedrontados.
Nada é culpa tua. A frase preferida do cérebro, enganador e corrupto.
A culpa é do vento, do ar, das plantas: tua (minha), não!
Eu sempre tentei em tudo ser justa e fugir deste ciclo que caracteriza o animal Homem, (sem nunca o conseguir de facto), hoje, não posso mais.
Preciso de estar sozinha, no silêncio, para nascer de novo e me reconciliar comigo. Só assim poderei voltar a viver, fugindo da vida.
Não peçam mais de mim.
Dar-me foi natural, senti que era desejada sem o ser, quando me recebiam.
Agora, deixem-me sozinha por um pouco e voltarei e neste pouco nem vão sentir que não estive, mas quando voltar e vos deixar comerem-me a alma outra vez, vão entender que no puco estavam fracos, tristes, cegos... sem mim.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Mais uma vez... Não sei o que digo....


Sou eu... De todas as vezes eu, a bater na porta. Ninguém abre. Sempre fechada. Porquê?
Eu tenho a chave, e tento com muita força, muita força, muita...força.
O sol, queima-me a pele, os olhos ardem de mais, a voz, aprisionada nesse raio luminoso que me queimou, deixa de ser a minha.
Peço muito, imploro. Ninguém ouve. Deixem-me entrar! Deixam todos. Todos.
Porque não eu?
Deram-me uma chave estragada e agora fico fora, sozinha.
De dentro vem o som do quentinho deles, cá fora o frio do silêncio.
Eu só quero entrar.
Por um pouco apenas, para saber que o amor não é a fábula dos sonhos mais tristes, das noites pálidas de inverno.
Fico num canto sem me mexer, prometo.
Quieta, apenas aquecendo-me no som da chave a saber rodar e abrir a porta.
Sou eu... De todas as vezes, eu. Ninguém abre. Ninguém. Abre.


Elda Costa

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O amor....

Porque Sou de grandes paixões e penso que amar é uma arte....

Uma música que adoro... e que hoje me veio ao coração e relata o que sinto.....

Que em todos o amor brilhe... e faça sonhar....

Sigam sempre a voz do coração, nunca vos decepcionará...


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O meu coração

Para uma amiga especial, da família Andaime, com muitas saudades...

P.S. :Esta é a música que reflete também o que sinto neste momento, ao morrer aos poucos por não vos poder ver...

Andaime

Porque estou proibida, dizem eles, de estar com aminha família anadime...
Que me faz sonhar... e me ensina a ser quem sou...

A esses que me querem proibir de viver, uma frase de um grande poeta e o reflexo da escuridão, que paira no meu coração:

«Serei tudo o que dizerem: Poeta castrado, não» (Ary dos Santos)

«Querem deixar-me sem tecto, e pedem-me que não me revolte?
É a minha casa!
O sol foi embora, veio a noite que,
Traz o frio e as tempestades escuras com ela.
Estou sozinha.
Sem tecto, tenho medo do frio,
Que me gela a alma e faz tremer o coração.
Se morrer a côr em mim,
A culpa é desses que trouxeram a noite
E me levaram a casa.
E quando a tristeza for todo o meu ser,
Eu e ela nos confundirmos,
E a tiver por chão,
Deixando de ver o andaime,
Que me fazia sonhar,
(O sol foi com a noite)
Não me verão mais.
Serei a sombra que vos atormenta
E pesa no peito.
Foram vocês que assim me fizeram,
Hão de carregar-me!
Pintem tudo de preto!
(A vossa côr preferida,
A única que conhecem),
Deixem-me sem casa,
Nua, nos escuro, sozinha,
Partir como um vidro,
A que a chuva lavou a tinta,
Sem pena.
A culpa é Vossa!»
(Elda Costa)


Enfermagem





























A minha Escola, o meu Futuro...

E aqui vai o meu poema para Ti Enfermagem...