
Hoje bati três vezes na porta de casa.
Não sei porquê?
Estava aberta.
Carecia senti-la, ouvi.la gritar comigo.
Grita!
Perdoa!
Corri pelo corredor, galguei aos pares as escadas,
(Menina de nada)
Gritaram também, rangendo ao meu passar.
Saudade!
Do cheiro das flores na jarra do velho móvel da sala.
Não fui capaz.
Não estive lá.
Tudo gritava demais em mim.
Desculpem ter crescido sem avisar.
Não poder sentir o o gritar da porta, das escadas ao meu galgar.
Gritem!
Perdoem!
As flores, o seu cheiro,
Não mais ali para mim.
Eu não mais ali para mim,
Só a sombra de um ser,
(Menina de nada)
Pairando ao longe...
À porta de casa.
(Elda Costa).
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